21/10/15

A história do meu cabelo crespo.

Quando parei com o blog, decidi que se algum dia voltasse, seria pra utilizar como um meio de divulgação do meu trabalho, pra falar sobre a dermatologia e tornar o blog mais impessoal.

Mas sempre que penso num assunto que acho interessante e relevante pra ser publicado aqui, sempre é algo relacionado a minha vida, bem pessoal. E dessa vez não é diferente.

Quem me conhece de perto, sabe que meu cabelo sempre foi um problema pra mim.
Passei a infância inteira um pouco descabelada, ou com penteados e tranças bonitinhas pra segurar o volume e sendo a única crespa da família, ninguém sabia direito o que fazer com o meu cabelo.
Pra piorar, tinha o tal do bullying, que naquela época nem tinha nome. Mas passei a vida ouvindo que meu cabelo era ruim, sendo chamada de Loirinha Bombril (imagina que eu era pré-adolescente quando essa música foi lançada!), ouvindo uma versão especial de "Exagerado" do Cazuza - pra mim, ela era cantada assim: "Descabelada, jogada ao seus pés, eu sou mesmo descabelada..." e por aí vai.

Não foi fácil.
Quando eu tinha 13 anos, a Capricho fez uma reportagem sobre um relaxamento que soltava os cachos e mostrou um antes e depois lindo. Minha mãe, que apesar de não saber lidar com o meu cabelo, estava sempre procurando formas de me ajudar, foi atrás do tal salão em SP e aí começou a minha saga do relaxamento, que durou exatos 18 anos.
Não me entendam mal, durante muitos anos, o relaxamento foi a minha salvação. Graças a ele, na maior parte do tempo, eu me sentia menos diferente, conseguia me encaixar melhor na "minha sociedade" e sofri menos com a diferença.

Com os anos, meu cabelo foi sofrendo as consequência do relaxamento. Depois dos 20 e poucos, ainda passei a fazer luzes, uma combinação que não dá certo. Meu cabelo passou a não ter forma - ele ficou simplesmente com cara de alisado mesmo. Um ondulado esquisito, com a raiz crespa que denunciava que meu cabelo não era nem de longe liso natural.
Pra disfarçar tudo isso, foram anos de muito secador, de franja sendo esticada toda manhã e cachos sendo feitos a base de babyliss pra parecer que meu cabelo era simplesmente "cacheado" e não um crespo relaxado que ele realmente era.

Nas fases mais corridas da vida, acabava secando a franja e fazendo uma trança - virei especialista em trança embutida! Porque todo esse processo tomava tempo e nem sempre eu tinha todo esse tempo disponível...

Com 30 anos, eu resolvi tentar fazer progressiva, pra deixar de fazer o relaxamento. Meu cabelo se tornou extremamente oleoso, a dermatite seborreica atacou de vez (caspa mesmo e muita!) e meu cabelo começou a cair. E não deu o resultado que eu queria: além de ser definitivo (se engana quem acha que progressiva sai...), alisou meu cabelo e nem com muito difusor aparecia alguma onda. Quando a raiz crescia, a diferença de texturas se tornava óbvia rapidinho e eu corria pra retocar. Ou seja, o que era pra facilitar minha vida, me deixou escrava da química, do secador, chapinha, babyliss...


Foi quando eu resolvi buscar alternativas. E a melhor e mais difícil delas, era simplesmente não fazer mais nada e deixar meu cabelo natural.
O que eu não tinha idéia do que era, porque passei mais da metade da vida com ele relaxado, disforme.
Pesquisei mil blogs, vi muitos vídeos no youtube, entrei em comunidade no facebook e descobri que a fase que eu estava prestes a entrar, se chamava transição, que nada mais é do que o longo período que o cabelo permaneceria com duas texturas.


Eu pensei em desistir um milhão de vezes. Algumas meninas/mulheres optam por cortar toda a química de uma vez - e fazer o big chop (grande corte, mas todo mundo usa a expressão em inglês mesmo). Eu não sou desprendida assim, nem imune à opinão alheia e jamais teria coragem de fazer isso. Então, passei 1 ano e 6 meses achando meu cabelo horroroso, cortando mensalmente (nessa história, até aprendi a cortar meu cabelo sozinha) até tirar toda a química. Praticamente toda, ainda tem umas mechinhas meio esticadas.

E agora, começa uma nova fase: a de aceitação. Acho cabelo crespo lindíssimo, mas em mim, não sei o que pensar. Não me gosto em fotos, me olho no espelho um milhão de vezes antes de sair, mas acredito que se Deus me fez assim, esse deve ser o cabelo que me deixa mais bonita, mesmo que eu demore um pouco pra perceber. Muita gente tem elogiado, isso me deixa um pouco menos insegura.

Tem também o fato dele estar curto, super repicado... A franja ainda não enrolou, porque passei a transição fazendo chapinha nela e acreditem ou não, a chapinha foi capaz de alisar a minha franja. Faz 1 mês e meio que passei a também não esticar mais a franja e é tãaao difícil! Pra amenizar a diferença, falo rolinhos, ou na pressa, às vezes até babyliss mesmo (que eu tento evitar, só uso quando muito necessário).

Hoje seco meu cabelo no dia que lavo, arrumo com fitagem, seco com difusor e depois disso, quase nem ligo o secador. Confesso que no dia a dia uso um rabo alto e fica por isso mesmo, mas de fim de semana reservo um tempinho maior pra deixá-lo solto.
Ainda vai um tempo pra eu aceitá-lo como ele realmente é, mas acho que estou cada dia mais perto!

Em fotos:

1. No início da transição: meu cabelo totalmente sem forma, ressecado e opaco (a cor está horrorosa porque foi uma tentativa desastrosa de trocar de salão...). Ainda  mais longo, só tinha cortado uma vez.




2. Já no final da transição, mas ainda fazendo escova e chapinha na franja.


3. Como ele está agora: beeem enrolado, com a franja ainda indefinida. Pra mim, isso é super volumoso e eu estranho muito. Mas pras cacheadas, o meu cabelo praticamente não tem volume! Rs...


Espero que meu desabafo ajude alguém que está passando por uma situação parecida.
De fora, tudo parece bem mais fácil! =)
Beijos,
Maria Helena

Bonus: meu cabelo original, quando eu era criança (relevem, eu tinha acabado de acordar!) E sim, eu tomava sol naquela época! =)


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